Afeto...

 

Iara Melo

 

 

 

Mesmo que insistam

Que eu caia em lodo

Embriague-me na tristeza

Seja cruel tal qual

 ferroada de uma abelha,

Mesmo que eu saiba

Que distante condenam-me

Por não possuir bago que destrói,

Recolho-me ao silêncio

Vagueando entre pétalas de lágrimas,

Lamentos íntimos do meu eu.

 

 

A tristeza que tanto afugento

Desagua sem pedir licença.

Forças quase exauridas,

Insistem em saber

O que querem de mim?

Já dei-lhes o meu perdão,

A minha indiferença,

O meu amor,

Nada quiseram !

 

 

Se não têm  capacidade

De sentir felicidade,

Desagúem suas dores

noutro jardim,

Nem tentem matar-me

Com o vosso fel envenenado,

Mesmo rolando em lágrimas

Repouso a borboleta

que paira em meu jardim,

Quieta, mansa, sedosa

Tal como o afeto

Que conduzo dentro

de mim.

 

 

 

 

 

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